
17/01/08 às 15:07
"PanAmérica", bíblia da contracultura, é editada na França
Por Jotabê Medeiros
São Paulo, 17 (AE) - Chegou esta semana às livrarias francesas uma bíblia da contracultura brasileira, o livro "PanAmérica", de José Agrippino de Paula, morto em 4 de julho do ano passado, aos 69 anos. A edição é da Leo Scheer e a tradução de Emmanuel Tugny, adido cultural da França em Porto Alegre. Custa 18 e tem 256 páginas. ""PanAmérica" é considerada obra-chave da literatura brasileira, atípica, influenciada pela pop art, pela geração beat e antecipadora do movimento tropicalista", diz o material de divulgação francês da obra, que sai nesse país 41 anos após a primeira edição no Brasil.
Os franceses estão certos: Agrippino foi um dos pioneiros artistas "multimídia" do País (dirigiu filmes como "Hitler Terceiro Mundo" e "Céu sobre Água"), mas "PanAmérica" é de fato sua obra-chave. Na narrativa, o autor mistura personagens da emergente cultura pop americana, como John Wayne, Marilyn Monroe, Andy Warhol, elaborando um comentário alegórico sobre a sociedade de consumo e a eficiência de seus signos.
"José Agrippino de Paula vivenciou os conteúdos da vida no fim do século passado com tanta frieza e tanta paixão que talvez não haja no mundo nenhuma obra literária contemporânea de seu "PanAmérica" que lhe possa fazer face", escreveu Caetano Veloso. Segundo Sérgio Pinto de Almeida, da editora Papagaio, que republicou "PanAmérica" em 2001 e ajudou a tirar Agrippino do ostracismo em que se encontrava, há interesse também de um americano para traduzir a obra. Almeida localizou os originais de sua peça "Rito do Amor Selvagem", de 1969, que o ator Stênio Garcia considera uma das suas mais completas experiências cênicas, e está com a novela inédita "Os Favorecidos de Madame Estereofônica", escrita para a TV (e que Agrippino deixou escrita em 173 cadernos universitários).
Agrippino viveu um período de intensa criatividade nos anos 60 e 70. Diagnosticado como um caso agudo de esquizofrenia nos anos 70, passou a viver isolado no Embu, em São Paulo. Muita gente sofre ainda hoje influência do autor, como o carioca Botika, autor de "Uma Autobiografia de Lucas Frizzo".
Agência Estado
São Paulo, 17 (AE) - Chegou esta semana às livrarias francesas uma bíblia da contracultura brasileira, o livro "PanAmérica", de José Agrippino de Paula, morto em 4 de julho do ano passado, aos 69 anos. A edição é da Leo Scheer e a tradução de Emmanuel Tugny, adido cultural da França em Porto Alegre. Custa 18 e tem 256 páginas. ""PanAmérica" é considerada obra-chave da literatura brasileira, atípica, influenciada pela pop art, pela geração beat e antecipadora do movimento tropicalista", diz o material de divulgação francês da obra, que sai nesse país 41 anos após a primeira edição no Brasil.
Os franceses estão certos: Agrippino foi um dos pioneiros artistas "multimídia" do País (dirigiu filmes como "Hitler Terceiro Mundo" e "Céu sobre Água"), mas "PanAmérica" é de fato sua obra-chave. Na narrativa, o autor mistura personagens da emergente cultura pop americana, como John Wayne, Marilyn Monroe, Andy Warhol, elaborando um comentário alegórico sobre a sociedade de consumo e a eficiência de seus signos.
"José Agrippino de Paula vivenciou os conteúdos da vida no fim do século passado com tanta frieza e tanta paixão que talvez não haja no mundo nenhuma obra literária contemporânea de seu "PanAmérica" que lhe possa fazer face", escreveu Caetano Veloso. Segundo Sérgio Pinto de Almeida, da editora Papagaio, que republicou "PanAmérica" em 2001 e ajudou a tirar Agrippino do ostracismo em que se encontrava, há interesse também de um americano para traduzir a obra. Almeida localizou os originais de sua peça "Rito do Amor Selvagem", de 1969, que o ator Stênio Garcia considera uma das suas mais completas experiências cênicas, e está com a novela inédita "Os Favorecidos de Madame Estereofônica", escrita para a TV (e que Agrippino deixou escrita em 173 cadernos universitários).
Agrippino viveu um período de intensa criatividade nos anos 60 e 70. Diagnosticado como um caso agudo de esquizofrenia nos anos 70, passou a viver isolado no Embu, em São Paulo. Muita gente sofre ainda hoje influência do autor, como o carioca Botika, autor de "Uma Autobiografia de Lucas Frizzo".
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